terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O pai dos mureteiros

São 14 horas de terça feira, e o Arena Sportv está no ar. Cléber Machado e sua equipe de comentaristas destrincham os acontecimentos da véspera e da semana e, a fim de rechear o programa, adentram em intermináveis discussões filosóficas sobre a essência do futebol. Inevitavelmente o vespertino esportivo diário do "Canal Campeão" ganhou a fama de sonífero, embalando as siestas pós-almoço de muitos assinantes.

Os canais Globosat, em especial o Sportv, têm no poderio econômico de sua matriz um grande trunfo para realizar amplas coberturas jornalísticas de grandes eventos de âmbito nacional e mundial. Mas, como infelizmente se constata desde sua fundação, os interesses da Rede Globo acabam por gerar uma crítica engessada e chapa branca. O grande retrato desse jornalismo fazedor de média é o âncora do Arena.

Se o material humano do programa já não prima pela qualidade, Cléber Machado faz de tudo para que suas discussões tornem-se vagas, confusas e desinteressantes. Suas observações levianas, que nos levam a pensar que ele sequer pensa antes de falar, já lhe valeram pelo menos duas nomeações no Top 5 do Custe o Que Custar, da Band (quadro que ranqueia as gafes semanais da televisão brasileira). É verdade que um ou outro se salva, como o Mauricio Noriega e André Rizek. Mas suas tentativas de aprofundar o programa através de críticas com um viés mais sério ou extremado são sempre rechaçadas pelo apresentador, que imagina fazer justiça ao defender pontos de vista injustificáveis, numa parca análise dos dois lados da moeda. Mais triste ainda é observar a acomodação de dinossauros da crônica esportiva, como Claudio Carsughi e até Marco Antônio Rodrigues, perante a total falta de fervor do programa. A tendência é que, para cada Alex Escobar que surja, apareçam dois Wagners Villaron e um Ricardo Capriotti (será que alguém poderia me explicar a contratação desse cara?).

Para o bem dos telespectadores, Cléber Machado se mandou para o Rio neste começo do ano, visto que será o encarregado de narrar os desfiles das escolas de samba. Em seu lugar, o comando do programa foi entregue ao competente Milton Leite, que embora tenha opiniões divergentes sobre muitos aspectos em relação a este que vos escreve, pelo menos as tem e sabe conduzir o Arena de forma inteligente e divertida.

Machado deve fazer carreira longa na Globo, e não demorará muito até que tome o posto de Galvão Bueno como o homem-forte do futebol da emissora e, consequentemente, da TV aberta. Seu tom conciliador e modorrento agrada aos altos escalões da diretoria. Pudera, incitar opiniões radicais do torcedor contra figurões da cartolagem seria um perigo para a Dona do Brasil, aliada incondicional destes nas negociações por direitos televisivos . Melhor seria se Cléber se recolhesse à sua mediocridade, assim como seu colega Luís Roberto, e se limitasse a narrar os jogos e escutar os outros.

Um comentário:

  1. o pior da historia toda é o pouco que se pode fazer para mudar essa situação.
    o negócio é engolir o "globo, a gente se vê por aqui" e o Cléber Machado, ou não ver o jogo mesmo.

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